Quilombolas

Aqui era um quilombo. Veio preto da Bahia, de Espinosa, dessas cidades antigas, baianas, da Vila do Urubu, de Grão Mogol. Vieram. Ninguém sabe. Fugiam da casa e iam para aqueles quilombos de pretos, esses lugares onde tinha epidemia e que ninguém queria morar. Nesses desertos. Eles chegavam e ocupavam. Assim é que eles chegaram aqui, como chegaram nos lugares por aí afora, no meio da mata da Jaíba

(Clemente Batista, do Quilombo Brejo dos Crioulos).

As comunidades quilombolas encontram-se espalhadas por todos os municípios que compõem a mesorregião do Norte de Minas, local onde há a maior concentração de quilombos em Minas Gerais, com maior número no vale do rio Verde Grande.

Isso ocorre porque a existência da endemia de malária no interior da vegetação de caatinga arbórea, principalmente, mas também, caatinga arbustiva, propiciou o afastamento da população branca e indígena do interior da chamada Mata da Jaíba. Por conta disso, existia na região uma barreira natural de proteção às comunidades negras refugiadas da escravatura. Essa realidade muda com o processo de modernização conservadora vigente no Brasil a partir do regime militar. 

Em decorrência da diversidade de ambientes onde as dezenas de comunidades quilombolas se fixaram, há diversas dinâmicas estruturantes de seus modos de vida. Vinculados ao padrão produtivo regional de criação de gado bovino e agricultura para reprodução familiar e social em cada coletividade, historicamente, nos diversos ambientes desenvolveram conhecimentos propícios à garantia da vida, utilizando-os interdependentemente para o criatório de animais, para o plantio agrícola, para a pesca e para a caça.

No extenso Território Negro da Jahyba, as famílias negras historicamente se organizaram em torno dos furados, denominação regional para as dolinas surgidas com o rebaixamento dos tetos das cavernas existentes, onde realizavamsistema produtivo: agricultura; extrativismo; pesca e caça, então abundantes na região. Mas, também, há um número significativo de comunidades nas margens do rio São Francisco e, em menor quantidade, nos planaltos da região. Nas margens do rio São Francisco, elas se adaptaram às cheias e vazantes, realizando processos transumânicos entre as margens do rio e as terras firmes, enquanto que no interior do vale do rio Verde Grande e nos planaltos, são os períodos de chuvas e secas que marcam as estratégias de vida.

Nos períodos entre o cultivo e a colheita, assim como nos dias dos santos padroeiros de cada família ou coletividade, há realização de festas, seja como pagamento de promessas, celebração dos santos padroeiros ou simples festar, quando as famílias de lugares diferentes se encontram para atualizar os laços sociais que os unem.

A variação de ambientes e seus manuseios, os ciclos anuais do clima e a reprodução geracional do conhecimento construído propiciaram qualidade de vida para um grande número de coletividades. 

Luta a partir dos anos 1960, além do processo de reordenamento ambiental a partir dos anos 1990, muitas das comunidades vivem hoje encurraladas em pequenas áreas e muitos dos seus membros são empregados nas fazendas como mão-de-obra barata. Esse processo de exclusão sociopolítica e territorial tem se agravado com a demora da regularização fundiária dos seus territórios pelo Estado e a não garantia de direitos, exigindo que essas coletividades acionem estratégias de sobrevivência e resistência para manutenção de suas identidades e modos de vida próprios.

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